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Tempus Fugit / Carpe Diem - Por Nelson Travnik
16/11/2021 17:53 em Redação - Rádio Palermo

 

Desde os albores da civilização, o calendário apoiado na rotação e translação da Terra ao redor do Sol, ensinam-nos a contar nossos dias e nossos anos.

A sabedoria do tempo se resume em duas frases : Tempus Fugit, o tempo passa célere, tudo é efêmero. A segunda também aconselha : Carpe Diem, aproveite o dia como se fosse um fruto maduro e delicioso que precisa ser comido hoje para que não esteja bom amanhã.

Não é possível sentir o perfume das flores que já morreram.  Não é possível sentir o perfume das flores que não nasceram . Só é possível sentir o perfume das flores abertas hoje. O passado é o lugar da vida  que não mais é. O futuro é o lugar da vida que ainda não aconteceu e não há nenhuma certeza de que vai acontecer.

Tempo sem fim é insuportável.

Já imaginaram um livro sem fim, um poema sem fim, um beijo sem fim , uma musica sem fim ? Tudo que é belo tem de terminar. Beleza e morte caminham de mãos dadas.

Fisicamente nascemos sem trazer nada , morremos sem levar nada e no meio brigamos por algo que não trouxemos e não levaremos. É de certo modo assustador saber que ao nascer fomos programados para morrer e que nossa evolução biológica aponta que não somos nem o ápice e nem o fim . Quando nascemos todos sorriem. Quando morremos todos choram e só nós sorrimos.

Deixamos o corpo como uma roupa usada e nos revestimos de  outra nova. Porque a alma é imortal e certamente , consoante nossa existência de mais acertos que erros, iremos caminhar numa vereda de luz, tranqüilidade e paz ao encontro daqueles que nos foram mais caros. 

Em nossa vida terreal, há contudo momentos fugazes que justificam toda uma existência. É quando os olhares se cruzam e você depara com uma possível alma gêmea. As vezes uma ilusão termina e renasce um novo amor, um momento mágico que dura até os momentos finais. Vivemos sob o feitiço do tempo e de repente achamos que a vida é como uma sonata que começa e deve terminar como após a velhice. Puro engano.

Vivemos no tempo mas é a eternidade que dá sentido a vida. Quando em nós desperta um sonho rumo a um objetivo na vida e sobre ele nos lançamos com toda força da alma, tudo conspira a nosso favor. É isso que dá sentido a nossa efêmera existência.

Se somos programados para a vida além da vida, a ciência chegou a um consenso : o cérebro foi desenvolvido pelas forças evolutivas para extrair sentido do mundo que nos rodeia. As descobertas da física quântica sobre o tempo proporcionam uma pista de que a morte não corresponde necessariamente ao termino da existência de um ser e sua finalidade se relacionaria também a existência da alma.

É difícil aceitar que nascemos para sermos marionetes do Criador. Muitas   milenares e modernas filosofias apontam também para uma evolução espiritual . Elas permeiam o imaginário e estão nas conversas, livros, revistas, filmes, documentários e em muitos livros sagrados.

Se Deus é uma invenção humana, como afirma o ateísmo, porque  cair no ridículo tentando conversar com ele ? Iremos tombar numa sepultura ou no crematório para não ser mais nada ? Há poucos anos rezava-se cada vez menos e isso só acontecia nos momentos de  angustia e extrema necessidade.

Foto: Voyager 1 - https://voyager.jpl.nasa.gov/galleries/images-of-voyager/

Essa idéia parecia definitiva mas bastaram umas poucas voltas da Terra ao redor do Sol e a sonda americana Voyager 2 fotografar a Terra como um diminuto e quase imperceptível pálido ponto azul, para as pessoas voltarem sobre si mesmo e serem mais humildes vendo que nosso planeta com sua história,  deuses, heróis, civilizações e conquistas, nada representa na imensidão do universo. 

Ressurge  a volta da prece como um canal de comunicação com o divino. Atualmente nem as potentes câmaras da Voyager 2 conseguem mais visualizar nosso planeta perdido na imensidão cósmica. E nessa contemplação retrospectiva, as pessoas sentem atualmente um inusitado interesse e fascínio pela existência da alma e com a vida após a morte.  São questões  que há muito vem sendo objeto de pesquisa científica,  já existindo  nos EUA universidades que abordam  essas questões. 

Nelson Travnik é astrônomo no Museu Aberto de Astronomia de Campinas e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

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